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18 de Junho de 2021

A violência na Europa e o surgimento dos hooligans

Guilherme Vida Leal Cassante, Estudante de Direito
há 6 anos

Na Europa mais precisamente na Inglaterra o futebol é muito popular, não obstante ocorreram e ocorre até hoje inúmeros casos de violência, na maioria das vezes envolvendo os hooligans, jovens ingleses extremamente violentos que carregam consigo o prazer pela violência e se organizavam para brigar, o hooliganismo começou a chamar atenção de sociólogos na década de 60, momento em que foi realizada a Copa do Mundo na Inglaterra em 1966, pois os torcedores se organizavam ao redor dos estádios para simplesmente causar desordem e brigarem, muitos pesquisadores começaram a relacionar este comportamento com o contexto histórico, a crise vivida pelo capitalismo, à classe social dessas pessoas, juntamente com o fanatismo que elas possuíam por seus clubes.

O hooliganismo caracteriza-se por alterações estruturais nas camadas da classe operária, com o aumento do mercado de tempos livres destinados aos jovens, o desejo destes em se deslocarem regularmente aos jogos distantes, o colapso do mercado de trabalho para jovens e as mudanças operadas na estrutura do futebol, especificamente com o desejo das autoridades por meio do Relatório Taylor mudar algumas medidas que achavam equivocadas no futebol inglês, para controlar de maneira eficaz o vandalismo. A imprensa também foi responsável por vender notícias da maneira que os patrocinadores queriam.

“O hooliganismo era o resultado do colapso geral da autoridade britânica e da ineficácia das diferentes instituições socializadoras, Família, Escola, Igreja etc.” (O'BRIEN, apud. MARIVOET, 1992, online).

Pela tradição violenta se atraiu um grupo de jovens, não sendo seduzidos pelo futebol, mas antes pelos acontecimentos que este lhes proporcionava. É neste contexto que explicam o aparecimento dos grupos de extrema-direita, onde os grupos de jovens, "irrequietos", "não estruturados", "provocadores" e "com pouca ou nenhuma perspectiva social" constituíam uma fonte de recrutamento para estas organizações (WILLIAMS, DUNNING & MURPHY, apud. MARIVOET, 1992, online).

Consideram também que a Imprensa assumiu um papel ampliador do pânico moral, verificando-se um consequente aumento de medidas de controle, tendo-se apresentado deste modo como o fator principal no desenvolvimento do fenômeno. A partir de 1985 surgiu um novo tipo de hooligan, os "Casuels". Estes vão aos jogos com roupas de marca, sem possibilidade de serem reconhecidos, sendo as confrontações entre torcidas marcadas para fora dos estádios e, recentemente, transferidas para jogos não considerados perigosos onde o controle policial não está prevenido para tais ocorrências (MARIVOET, 1992, online).

Com base em alguns estudos, foram identificadas características semelhantes aos hooligans, principalmente nas suas intenções, seus trajes, opiniões políticas e perfil. Os hooligans são pessoas da classe operária que trabalham em um emprego com a carga horária muitas vezes abusiva e que no fim de semana gostam de frequentar os pubs de suas cidades, pois esperaram a semana inteira pelo futebol e que usam o futebol para cometerem atitudes violentas.

Na década de 80, o hooliganismo era rotulado na Europa e na Inglaterra como um problema na sociedade causado por pessoas que tinham características violentas, prazer pela confusão e eram consideradas selvagens e uma ameaça social, com isso o Estado deveria tomar atitudes coercitivas a fim de repreender todas essas pessoas, os hooligans passaram a serem vistos como o inimigo número um do Estado na Inglaterra, e em toda a Europa, a polícia tentando uma forma de combater a violência, chegou a usar muito a tática de colocar policiais infiltrados no meio, buscando descobrir os líderes e os próximos confrontos que iriam ocorrer entre esses torcedores.

Dentre as tragédias mais conhecidas, destacam-se a final da Liga dos Campeões da Europa de 1985 na Bélgica que envolveu dois times mundialmente conhecidos sendo eles, Liverpool, da Inglaterra, e Juventus, da Itália, torcedores de ambos os clubes almejavam um confronto e as grades que separavam esses torcedores, acabou cedendo, resultado em 38 mortos e 454 feridos e a do Estádio Hillsborough, em Sheffield (Inglaterra) em 1989, envolvendo novamente torcedores do Liverpool e do Nottingham Forest, em uma partida válida pelas semifinais da Taça da Inglaterra, esta ocorreu devido à venda maior de ingressos do que o Estádio poderia suportar, ocasionando uma superlotação e 96 torcedores do Liverpool morreram pisoteados e outros 766 ficaram feridos, essas duas culminaram para que fossem elaboradas algumas medidas a fim de coibir confrontos entre torcedores e melhorar as condições do espetáculo.

Em 1990 é criado o Relatório Taylor que visa mudar e aprimorar a gestão de segurança do futebol na Inglaterra, após ter sido realizada uma perícia, foi constatado no Estádio Hillsborough que a culpa por tal fato não era única e exclusiva dos hooligans, mas também dos organizadores do evento, que colocaram uma partida de futebol em um estádio que não tinha condições nenhuma de segurança e conforto para as pessoas que iriam assistir a partida.

O Relatório Taylor também constatou que a polícia era incapaz de controlar a multidão dentro do estádio e nem competência para tal função ele tinham, com isso surgiram nos estádios ingleses os stewards, que basicamente são pessoas civis treinadas para auxiliarem e orientarem os torcedores e encontrarem seus respectivos lugares no estádio, de maneira organizada, o futebol inglês passou por uma reformulação, com o intuito de melhorar o espetáculo foram adotadas algumas medidas, dentre elas estão:

- A supressão dos alambrados que rodeiam o campo de jogo;

A obrigatoriedade de que todos os torcedores mantenham-se sentados;

- A melhoria do acesso aos estádios, permitindo uma evacuação rápida em caso de necessidade (com saídas claramente identificadas e visíveis);

- A substituição dos policiais pelos chamados stewards, civis treinados para organizar grandes grupos e mediar conflitos em caso de necessidade, sem o perfil repressivo que caracteriza os agentes policiais (...)

- A aplicação do direito de admissão nos estádios e a organização de um “registro de torcedores”

Com essas medidas, o número de confrontos envolvendo os hooligans diminuiu consideravelmente, mas por sua vez o preço dos ingressos para assistir as partidas subiu, isto não fez com que toda violência entre os hooligans acabasse, mas se distanciassem dos estádios e passassem a acontecer em outros lugares como bairros mais distantes, estações de metrô. É notável que dentro dos estádios a segurança melhorou e o modelo inglês foi utilizado em outros países da Europa e é utilizado também no Brasil nos novos estádios feitos para Copa das Confederações e para Copa do Mundo de 2014.

MARIVOET, S. Uma perspectiva teórica do hooliganismo no futebol. Horizonte, Lisboa: Livros Horizonte, v. 8, n. 48, p. 213-216, 1992a.

MARIVOET, S. Uma perspectiva teórica do hooliganismo no futebol. Horizonte, Lisboa: Livros Horizonte, v. 8, n. 48, p. 213-216, 1992a.

MICHAUD, Y. A Violência. São Paulo, Ed. Ática. 1989

3 Comentários

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mt bom
ajudou bastante, agora eu mostra pro Felipe oq ele faz com os amigo dele continuar lendo

felipe muleque desgraçado continuar lendo

Nada muda,torcida não é só violência,tem as ações sociais promovida pela mesma que não é repercutida na mídia,só aquilo que interessa a mídia,a mesma que apoio a "Lava Jato" é a mesma que hoje condena alguns atos da mesma,incrível não? continuar lendo